A Rua Marechal Deodoro, no Centro de São Bernardo, foi palco na manhã deste sábado (7/3) da 2ª Caminhada da Mulher da cidade. Mais de três mil participantes se inscreveram na atividade, que partiu da Praça Lauro Gomes em direção à Esplanada do Paço Municipal, em um ato de valorização das conquistas femininas e de fortalecimento da luta por direitos.
Durante o evento, que integra a programação do Mês da Mulher, o prefeito Marcelo Lima realizou a entrega de dois novos equipamentos que reforçam a rede de proteção às moradoras: um ônibus adaptado que será a unidade itinerante da Secretaria da Mulher e um veículo de uso exclusivo da Pasta.
“A luta pela igualdade e contra a violência precisa ser permanente. Aqui em São Bernardo não vamos tolerar agressões ou desrespeito às mulheres. Criamos a Secretaria da Mulher, estamos fortalecendo a Rede de Proteção e ampliando os serviços. Isso inclui a Casa de Passagem, a conquista da Delegacia da Mulher 24 horas, a ampliação do programa Guardiã Maria da Penha e um pacote de leis que combate com rigor a violência contra as mulheres”, destacou o prefeito Marcelo Lima.
A caminhada foi conduzida pela nova unidade itinerante da Secretaria da Mulher. O ônibus, viabilizado em parceria com a iniciativa privada, recebeu a identidade visual da campanha “São Bernardo por Elas” e será utilizado para levar orientações, acolhimento e serviços diretamente aos bairros.
“Estamos ampliando o alcance das nossas ações. Com a unidade móvel, vamos levar a Secretaria da Mulher para mais perto das moradoras, facilitando o acesso aos serviços e fortalecendo ainda mais a rede de proteção”, afirmou a secretária da Mulher, Sandra do Leite.
O evento contou com a participação da primeira-dama e presidente do Fundo Social, Zana Lima, da vice-prefeita Jéssica Cormick e de autoridades municipais.
Entre as participantes estava Simone Santa, de 57 anos. “Essa caminhada é maravilhosa. É a segunda vez que participo e trago minhas irmãs. É um incentivo para sair da rotina e também para mostrar nossa força. São Bernardo começou a lembrar de nós mulheres”, afirmou.
SERVIÇOS GRATUITOS – Na chegada à Esplanada do Paço Municipal, as participantes tiveram acesso a diversos serviços gratuitos. A Secretaria de Saúde disponibilizou atendimentos na Carreta da Mamografia e testagens para ISTs e HIV.
A CTR Móvel realizou cadastro de currículos para vagas de emprego e o Sebrae ofereceu orientações para mulheres empreendedoras. A programação contou ainda com espaço de leitura, área recreativa para crianças, orientações jurídicas e serviços de bem-estar, como massagem, corte de cabelo, limpeza de pele e maquiagem.
CALENDÁRIO OFICIAL- Nesta semana, a Prefeitura de São Bernardo também avançou na agenda de proteção às mulheres com a aprovação, pela Câmara Municipal, de um pacote de leis voltado à garantia de direitos femininos.
Entre as medidas está a inclusão da Caminhada da Mulher no calendário oficial do município, ampliando o alcance das ações de conscientização e divulgação dos canais de denúncia.
Outra iniciativa aprovada proíbe a nomeação para cargos públicos municipais de pessoas condenadas por violência contra a mulher com decisão judicial definitiva ou por órgão colegiado.
2ª Copa Judô Para Elas reúne 320 atletas em São Bernardo e reforça protagonismo feminino no esporte
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, vai além das comemorações. É um marco de luta, conscientização e enfrentamento à violência de gênero. Em São Bernardo, a data também foi marcada por esporte, protagonismo e representatividade: 320 mulheres entraram no tatame do Centro de Excelência de Judô, na Arena Caixa, para disputar a 2ª Copa Judô Para Elas.
Organizado pela Federação Paulista de Judô em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, o evento reuniu atletas de diversas entidades do Estado e reforçou o papel do esporte como ferramenta de igualdade, respeito e empoderamento feminino.
Para a pequena Juliana Oliveira da Silva, o dia teve um significado ainda mais especial. Neste 8 de março, a atleta de São Mateus, na zona leste da capital paulista, comemorou seu aniversário de 8 anos fazendo o que mais gosta. “Luto judô há quase dois anos porque queria aprender mais e me defender. Estou feliz em estar aqui, porque encontrei onde quero ficar”, contou.
A mãe, Neuda Oliveira, emocionada, destacou a importância do esporte na vida da filha. “A Juliana é superação. Eu tive câncer de mama e, de certa forma, minha filha me deu um fôlego de vida. Ela sempre teve problema de obesidade e se sentia excluída em outros esportes. No judô encontrou respeito. Aprendeu que o peso não limita quem ela é. Antes tinha medo de ser julgada, e aqui ela aprendeu a se aceitar”, relatou.
O evento contou com a presença do prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima, que ressaltou a importância da iniciativa.
“É uma competição feita de mulheres para mulheres, com arbitragem totalmente feminina, mostrando que elas podem estar onde quiserem. Mais do que uma disputa esportiva, este é um momento de reconhecer a força e o protagonismo feminino. Parabenizo a Federação Paulista de Judô por valorizar as mulheres no esporte”, afirmou.
Também participaram do evento o secretário municipal de Esportes e Lazer, Fran Silva, o presidente da Federação Paulista de Judô, Henrique Guimarães, e a primeira-dama da entidade, Andréa Guimarães. A campeã mundial de jiu-jitsu Rebeca Bem-Te-Vi, de 11 anos, também prestigiou a competição. “Ver esse ginásio lotado mostra que podemos fazer o que quisermos e sermos respeitadas por isso. Nossa cidade está de parabéns por apoiar um evento como esse”, disse.
RESISTÊNCIA – Entre as histórias que inspiram as novas gerações está a da judoca Soraia André, integrante da primeira equipe paulista de judô feminino. No início de sua trajetória, ela chegou a ser impedida de competir. Até 1979, uma legislação brasileira assinada em 1941 pelo então presidente Getúlio Vargas limitava a participação das mulheres em diversas modalidades esportivas. Durante o regime militar, em 1965, novas regras reforçaram a segregação do esporte feminino no país.
Soraia não desistiu. Lutou — dentro e fora do tatame — pelo direito de competir. Entre 1983 e 1991 conquistou três medalhas nos Jogos Pan-Americanos e oito medalhas no Campeonato Pan-Americano de Judô, além de alcançar o quinto lugar nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988.
Hoje integrante da Comissão de Mulheres da Federação Paulista de Judô, ela se emociona ao ver o Centro de Excelência de São Bernardo cheio de atletas. “Olhar esse tatame hoje é uma conquista. O que deixamos para o esporte é resistência e enfrentamento. Muitas atletas ainda precisam superar barreiras para permanecer no esporte, mas sempre digo a elas: desistir jamais”, afirmou.