Quinta, 23 de Julho de 2026

O futuro das ferrovias está nas mãos dos jovens

Por José Claudinei Messias, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana
Por janete ogawa
22 de julho de 2026 - Foto: Divulgação

O setor ferroviário vive um momento de transformação. Enquanto novos investimentos impulsionam a expansão da malha e a implantação de projetos em algumas regiões do país, áreas historicamente ligadas à ferrovia enfrentam redução de operações, perda de empregos e deterioração da infraestrutura. Em meio a esse cenário, uma questão se torna central: quem conduzirá o futuro das ferrovias brasileiras?

Os investimentos realizados nos últimos anos demonstram que o setor voltou a ocupar espaço relevante na agenda nacional de infraestrutura. Entre 2023 e 2025, os aportes públicos somaram R$4,7 bilhões, crescimento de 161% em relação ao triênio anterior, contribuindo para a geração de cerca de 20 mil postos de trabalho em obras e operações ligadas à expansão ferroviária. Os números mostram que o setor vive um novo ciclo de crescimento, com oportunidades concretas de desenvolvimento e geração de empregos.

Porém, enquanto o Centro-Oeste e parte do Norte do país recebem pesados investimentos, ampliam suas malhas e atraem novos empreendimentos logísticos, o Sul e o Sudeste ferroviário tradicional convivem com um cenário preocupante de abandono. Em diversas linhas históricas, a falta de investimentos, a redução da circulação de cargas e o sucateamento da infraestrutura têm provocado a perda de postos de trabalho e a desativação de trechos, enfraquecendo cidades que nasceram e se desenvolveram em torno da ferrovia.

Mesmo com essas diferenças regionais, é inegável que a ferrovia segue ampliando sua importância na logística nacional. Projetos como o trem que ligará Campinas a São Paulo, novos modais com foco no agronegócio e a expansão das linhas urbanas mostram o potencial do setor para o transporte de cargas e passageiros, além da sua relevância para o crescimento econômico sustentável do país.

Quando falamos em futuro, é preciso lembrar que as ferrovias não dependem apenas de investimentos, obras e expansões. O desenvolvimento do setor passa fundamentalmente pelas pessoas que irão operar, manter e se dedicar a toda essa infraestrutura nas próximas décadas. Num ambiente de transformações tecnológicas e desafios estruturais, a renovação da mão de obra é um fator primordial.

Para preparar uma nova geração de ferroviários, temos que garantir condições para que esses trabalhadores encontrem um setor fortalecido, com perspectivas de desenvolvimento e valorização profissional. A redução do desemprego entre jovens nos últimos anos amplia o universo de profissionais que podem enxergar na carreira ferroviária uma oportunidade de qualificação e estabilidade.

No dia a dia do Sindicato, vemos que milhares de trabalhadores ainda convivem com a insegurança provocada pela redução das operações e pela ausência de políticas que garantam a modernização e a preservação da malha existente. Assim, para garantir o futuro do setor não é preciso somente ampliar os modais, mas principalmente recuperar ferrovias já implantadas e valorizar seus trabalhadores.

As projeções do Plano Nacional de Logística indicam que o modal ferroviário poderá alcançar até 31% da matriz logística brasileira em 2050. A concretização desse potencial dependerá da capacidade do país conciliar crescimento, preservação da infraestrutura e fortalecimento dos trabalhadores. Nesse cenário em transformação, a formação de novos ferroviários é um elemento estratégico que definirá o futuro das ferrovias brasileiras.

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