O futebol brasileiro recebeu nesta terça-feira (3) uma triste notícia diretamente de Madri: as lesões no joelho direito que vão tirar o atacante Rodrygo da Copa do Mundo de 2026, a ser disputada entre junho e julho, nos Estados Unidos, Canadá e México. O camisa 11 do Real Madrid teve constatado pelo clube espanhol os rompimentos do ligamento cruzado anterior e do menisco lateral em exames após a partida contra o Getafe, pela Liga Espanhola, disputada na véspera.
Fisioterapeuta com mais de 30 anos de experiência em fisioterapia esportiva e atletas de alto rendimento, Alexandre Alcaide confirmou que o jogador vai desfalcar a Seleção Brasileira no Mundial e detalhou os procedimentos aos quais ele necessitará ser submetido até poder voltar aos gramados.
“Com certeza ele não estará apto para a Copa do Mundo, porque só a lesão isolada do ligamento cruzado anterior – LCA, que é muito comum no futebol – tem um tempo entre oito e nove meses de reabilitação completa. O LCA dá estabilidade anterior para o joelho, principalmente para que faça mudança de direção constante e freio do movimento para um drible. Dá estabilidade também para passe longo e chute. E neste caso tem também uma lesão de menisco, que é importante estabilizador secundário”, explicou o especialista.
No que diz respeito ao procedimento no ligamento cruzado anterior, o mesmo receberá um enxerto de algum tendão da perna. “Geralmente é retirado do tendão patelar ou do tendão semitendínio e grácio da coxa ou do tendão fibular”, explicou o fisioterapeuta. Segundo Alexandre, “para que o enxerto colocado no lugar (no LCA) possa maturar dentro da articulação do joelho esse é um tempo prolongado, por volta de 9 a 12 meses para que esse ligamento esteja realizando sua restrição e dando estabilidade pro movimento do atleta”.
Há alguns anos, as cirurgias que envolviam menisco eram tratadas de uma outra forma. No entanto, os avanços da medicina e as literaturas modernas evoluíram e a prioridade é a preservação do mesmo. “Muitos atletas, até cinco anos atrás, optariam pela retirada da área lesionada desse menisco. Mas hoje a ciência mostra que salvar o menisco através de uma sutura meniscal, em que o atleta praticamente não tenha perda de nenhum tipo de tecido desse menisco, auxilia o próprio ligamento cruzado a restrição articular do joelho, a estabilidade pra esse joelho. Para que não haja, no retorno do atleta pós-cirurgia e pós-reconstrução, uma sobrecarga no ligamento cruzado”, exemplificou Alexandre Alcaide, que atualmente está à frente da Clínica CORD, com unidades em Santo André, São Bernardo e São Caetano, no Grande ABC paulista, atendendo desde atletas (profissionais e amadores) a pessoas comuns.
No entendimento do especialista, as características de jogo de Rodrygo também interferem diretamente e acabam ampliando o tempo de recuperação. “Um atleta como o Rodrygo, que muda muito rápido de direção e trabalha muito com drible, para balançar o zagueiro que está na marcação, provavelmente vai demorar um pouco mais do que nove meses, porque tem uma necessidade de estabilização muito maior nesse ligamento”, disse o profissional, que soma experiências no EC Santo André, na AD São Caetano, foi consultor de Red Bull Brasil e São Paulo FC e atuou coordenador fisioterapêutico da Maratona de São Paulo.
“A literatura mostra que atletas que voltam antes dos nove meses têm mais risco de relesão. Então isso tem de ser discutido com o paciente para ver se ele quer assumir esse risco da re-ruptura do ligamento cruzado anterior”, continuou o especialista.
Alexandre Alcaide ainda comparou o caso de Rodrygo com outros dois recentes que também envolveram atacantes do futebol brasileiro. “O Neymar teve uma ruptura do ligamento cruzado e ficou entre 12 e 13 meses pra voltar. Justamente um atleta que muda de direção muito rapidamente. Diferente de um atleta que trabalha menos essa característica, como um centroavante. Foi o caso do Pedro, por exemplo. Teve uma lesão isolada de ligamento cruzado, não envolveu o menisco e nesse caso o departamento médico do Flamengo, o cirurgião, a equipe de fisioterapia e o próprio atleta, optaram por uma recuperação um pouco mais acelerada, com seis meses”, explicou o fisioterapeuta, sócio-fundador da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (Sonafe).
Em suas redes sociais, Rodrygo lamentou o ocorrido com um desabafo. “Um dos piores dias da minha vida, o quanto eu sempre temi essa lesão. Talvez a vida tem sido um pouco cruel comigo ultimamente. Não sei se mereço isso, mas, do que posso reclamar? Quantas coisas maravilhosas já vivi, que eu também não merecia. Um grande obstáculo surgiu na minha vida, na minha carreira, e que me impede de fazer o que eu mais amo por um certo tempo. Estou fora do restante da temporada com meu clube e fora da Copa do Mundo com meu país, um sonho que todos sabem o quanto significa pra mim”, publicou o atacante.
Em seus atendimentos na Clínica CORD – que há mais de 15 anos é referência no Grande ABC e recebe inclusive pessoas e atletas da Capital e outras regiões –, Alexandre Alcaide explicou que ele e a equipe têm um protocolo baseado em práticas internacionais comprovadamente eficazes. “Fazemos todo um estudo personalizado antes de optar pelo tratamento cirúrgico ou conservador. E o paciente só é liberado a retornar ao esporte com critérios muito estabelecidos cientificamente e respeitados no mundo inteiro de força muscular e estabilidade ligamentar por meio de série de testes funcionais que permitem saber.”