Quinta, 16 de Julho de 2026

Fiesp reage ao novo tarifaço do governo Trump

Governo Lula reajusta tarifas de embarque em 14 aeroportos brasileiros
Por janete ogawa
16 de julho de 2026 - Fonte: Metrópoles

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) lamentou a decisão anunciada nesta quarta-feira (15/7) pelos Estados Unidos de aplicar um novo tarifaço de 25% a produtos brasileiros. A medida conclui investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que acusa o Brasil de “práticas desleais” que prejudicam empresas e exportadores norte-americanos.

Em nota, a Fiesp afirmou que a decisão é especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil, o que reduz significativamente a competitividade do país perante concorrentes globais.

“O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios”, disse Paulo Skaf, presidente da Fiesp, na nota.

A entidade ainda afirmou que o governo brasileiro optou por “ruídos diplomáticos desnecessários, críticas personalistas, discursos eleitorais e desalinhamento político com Washington” ao invés de tratar o assunto “com uma condução técnica e pragmática, como buscou a Fiesp durante as audiências públicas nos EUA e outras oportunidades no último ano”.

Novo Tarifaço

  • A investigação foi fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que trata da política comercial dos Estados Unidos.
  • Ela questiona a atuação do Brasil em temas como comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. O documento faz ainda uma série de críticas ao Pix e ao Banco Central do Brasil.
  • Segundo o governo de Donald Trump, o Brasil adota práticas desleais que oneram a indústria e os produtores dos Estados Unidos. As taxas são sugeridas com sob a justificativa de equilibrar a balança bilateral.
  • No entanto, o comércio entre os dois países seja superavitário para os norte-americanos.
  • As taxas atingem diversos setores da indústria brasileira. De acordo com levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), cerca de 4 mil produtos podem ser atingidos e pode ter um impacto de cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações aos EUA.

A conclusão foi encaminhada à Casa Branca para passar pelo aval de Donald Trump e encerra o rito da investigações, que também contou com o processo de audiências para ouvir do empresários e membros da sociedade civil sobre o impacto das tarifas.

 

 

 

 

Governo Lula reajusta tarifas de embarque em 14 aeroportos brasileiros

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) oficializou o reajuste dos tetos das tarifas aeroportuárias em 14 aeroportos brasileiros, incluindo os terminais internacionais de São Paulo-Guarulhos e Campinas (SP), além de 12 aeroportos incorporados ao contrato de concessão da GRU Airport por meio do programa AmpliAR.

As mudanças foram publicadas no Diário Oficial da União (DOU) na edição de segunda-feira (13) com entrada em vigor dos novos valores pelas concessionárias 30 dias após a divulgação aos usuários.

Com a atualização, os tetos da tarifa de embarque doméstico passam a variar entre R$ 33,44, em Campinas (SP), e R$ 48,80 nos aeroportos vinculados ao AmpliAR. Já os limites da tarifa de embarque internacional foram fixados entre R$ 59,17 e R$ 86,42, conforme o terminal.

Os 12 aeroportos contemplados pelo programa AmpliAR estão localizados nos estados da Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Pernambuco, Rondônia, Tocantins e Mato Grosso. O reajuste faz parte da atualização monetária prevista nos contratos de concessão firmados entre o poder público e as concessionárias.

Segundo as portarias, a atualização dos valores tem como finalidade preservar o equilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão. O mecanismo integra as regras regulatórias aplicáveis aos aeroportos federais administrados pela iniciativa privada:

  • São Paulo-Guarulhos: embarque doméstico R$ 35,75, embarque internacional R$ 68,61;
  • Campinas (SP): embarque doméstico R$ 33,44, embarque internacional R$ 59,17;
  • Aeroportos do AmpliAR: embarque doméstico até R$ 48,80, embarque internacional até R$ 86,42.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o cálculo do reajuste das tarifas considera a atualização pela inflação acumulada medida pelo IPCA e também fatores regulatórios específicos. Entre eles estão o Fator X, que reflete ganhos de produtividade esperados das concessionárias, e o Fator Q, que leva em conta indicadores de qualidade dos serviços prestados, resultando em percentuais de reajuste diferentes entre os aeroportos.

Entre as tarifas aeroportuárias, apenas a tarifa de embarque é cobrada diretamente dos passageiros. As demais cobranças recaem sobre companhias aéreas e operadores de aeronaves pelos serviços e pela utilização da infraestrutura dos aeroportos.

Essas tarifas remuneram operações como pouso, permanência, conexão, armazenagem e capatazia (movimentação e manipulação de cargas), além da disponibilização da estrutura aeroportuária. Já a tarifa de embarque é destinada a custear os serviços, instalações e facilidades oferecidos aos passageiros durante todo o processo de embarque.

 

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