Sexta, 05 de Junho de 2026

São Bernardo avança para entregar unidade que atenderá todo o Grande ABC

São Bernardo sedia pesquisa inédita sobre comunicação de riscos no combate às arboviroses
Por janete ogawa
25 de maio de 2026 - Foto: Brenner Oliveira/PMSBC

Dois anos após o início das intervenções, o futuro AME (Ambulatório Médico de Especialidades) de São Bernardo vive um novo momento de sua construção. Retomada pela gestão do prefeito Marcelo Lima em outubro de 2025, depois de meses de paralisação motivada por inconsistências técnicas identificadas no contrato firmado pelo governo anterior, a obra avança agora em ritmo expressivo e com prazo definido. A previsão é concluir a primeira etapa da construção até março de 2027 e colocar o equipamento em plena operação no primeiro semestre de 2028.
O AME será instalado em uma área de aproximadamente 6,6 mil m² na região central de São Bernardo, local escolhido para ser sede da unidade em âmbito regional, o que significa que ele não vai atender apenas moradores da cidade, mas receber pacientes encaminhados de todo o Grande ABC, por meio do Siresp (Sistema Informatizado de Regulação do Estado de São Paulo). Quando estiver funcionando, o ambulatório, atrelado ao Governo do Estado, terá capacidade para realizar mensalmente 10 mil consultas de especialidades, 5 mil exames de apoio diagnóstico e até 1.000 cirurgias de pequeno e médio porte.
Durante visita técnica às futuras instalações, o prefeito Marcelo Lima destacou o significado da retomada para a saúde pública do município e do Grande ABC. “Recebemos essa obra com inconsistências técnicas no contrato e paralisada, por isso, fizemos o que precisava ser feito: analisamos e retomamos do jeito certo. São Bernardo foi escolhida para sediar o AME porque tem estrutura, responsabilidade e capacidade de entregar. Quando esse equipamento estiver funcionando, a população vai ter acesso a consultas de especialidades, exames e cirurgias a poucos minutos de casa. Nós retomamos, corrigimos e estamos entregando”, afirmou o chefe do Executivo.
PARALISADA – O investimento municipal total é de R$ 22 milhões, valor atualizado após a revisão técnica que viabilizou a retomada. Quando a atual gestão assumiu, em janeiro de 2025, a obra estava paralisada, com apenas 30% de execução e atraso nos pagamentos. A análise do contrato revelou que a planilha original não correspondia à planilha de execução, um erro técnico de engenharia que inviabilizava o avanço sem uma revisão criteriosa. Havia, ainda, um pedido de aditivo de R$ 4 milhões cuja análise se mostrou inviável sem antes corrigir as inconformidades identificadas.
RESPONSABILIDADE – A Prefeitura optou por revisar o projeto com rigor técnico e jurídico para concretizar a retomada. O aditivo contratual contemplou tanto aspectos qualitativos, para incluir itens essenciais que haviam sido realizados, mas não constavam na planilha original, quanto quantitativos, visando adequar serviços que se mostraram insuficientes para a conclusão do projeto. Com os ajustes concluídos, as obras foram retomadas em outubro com novo prazo e contrato, dentro dos parâmetros legais e técnicos exigidos.
O projeto está estruturado em duas fases de construção. A primeira etapa, atualmente em execução, contempla o pavimento principal da unidade, com os espaços destinados a consultas de especialidades, exames e procedimentos diagnósticos. A finalização desta fase está estimada para 2027.
A segunda etapa, que ainda será licitada, prevê a construção de um segundo pavimento destinado ao centro cirúrgico, estrutura que vai viabilizar a realização das pequenas e médias cirurgias previstas no escopo do equipamento. Importante frisar que a entrega do AME representa um salto na oferta de serviços de saúde especializada em São Bernardo e Grande ABC, ampliando o acesso da população e trazendo mais agilidade no serviço público de saúde.
São Bernardo sedia pesquisa inédita sobre comunicação de riscos no combate às arboviroses
A Prefeitura de São Bernardo, por meio da Escola de Saúde da Secretaria de Saúde, participa de pesquisa inédita sobre comunicação de riscos no combate às arboviroses, doenças virais transmitidas principalmente pela picada de artrópodes (mosquitos e carrapatos). O projeto “Comunicação de riscos para promoção da vigilância popular em saúde em territórios de vulnerabilidade socioambiental” será realizado em parceira com o Instituto de Saúde do Estado de São Paulo, UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), PUC-SP, e conta com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do Programa de Pesquisa para o SUS (PPSUS).
Durante a apresentação do projeto, representantes das instituições estiveram na Secretaria de Saúde de São Bernardo e explicaram o significado da iniciativa. Coordenador da pesquisa e professor da UFSCar, Dr. Mário da Mata Martins relatou que o objetivo do estudo é mapear e diagnosticar como tem sido feita a comunicação de riscos de arboviroses no município, tanto por parte das entidades públicas quanto das ações espontâneas desenvolvidas pelos integrantes das comunidades em situações de vulnerabilidade ou dos entornos. “A perspectiva é que por meio da integração desses diferentes saberes seja possível aprimorar a comunicação de riscos, melhorando esse processo dentro do nosso sistema de saúde.”
O professor ressaltou que todas as políticas de saúde são pensadas a partir das demandas territoriais. “A gente entende não apenas que os territórios têm potencial de desenvolver atividades que são inovadoras, do ponto de vista da gestão da comunicação de risco, especificamente no caso das arboviroses, mas que a integração dessas atividades e desse conhecimento com o setor público pode favorecer o aprimoramento dessas estratégias e sua respectiva melhoria”, pontuou.
TEMA INÉDITO – A coordenadora da pós-graduação em Saúde Coletiva e pesquisadora do IS-SP, Dra. Cláudia Malinverni, que também faz parte da equipe da pesquisa, explicou que o tema abordado é inédito e de suma importância para o controle das arboviroses. “Na prática, a gente está propondo a construção de um modelo de vigilância que envolva a comunidade, construindo junto com essa comunidade, para que a gente possa ter ferramentas de comunicação para a prevenção de arboviroses”, detalhou.
“A gente está entendendo a vigilância popular em saúde, que é um conceito muito novo, como uma possibilidade de construir junto com a comunidade ferramentas que ela possa manejar e possa ser utilizada pela política pública para controlar as doenças provocadas pelo mosquito Aedes aegypti”, frisou Cláudia. “É um modelo muito novo e que preconiza a participação ativa da gestão”, acrescentou.
Ao longo da pesquisa, serão definidos os territórios de atuação, bem como escolhidos os profissionais de saúde que vão atuar junto a essas comunidades, provavelmente, agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. A partir disso, serão construídas as ferramentas de comunicação, partindo das realidades e das necessidades das comunidades. “A gente pode pensar em um podcast, por exemplo, mas isso vai ser construído em conjunto com a comunidade”, afirmou a pesquisadora.
RELEVÂNCIA – A diretora da Escola de Saúde da Secretaria de Saúde de São Bernardo, Priscila Silva, destacou que o fato de a pesquisa ter sido selecionada via edital PPSUS/Fapesp é o reconhecimento da relevância do tema. “Em um universo amplamente concorrido de trabalhos submetidos, apenas 26 projetos foram aprovados em todo o Estado de São Paulo, e o nosso é o único que aborda a importância da comunicação em saúde e a participação da comunidade neste processo”, relatou.
Priscila frisou que outro diferencial do estudo é a inclusão de bolsistas em iniciação científica que moram na cidade. “Foi um pedido da nossa gestão, para quando os bolsistas fossem selecionados, residir no município fosse um dos critérios de seleção. É uma forma de, desde o início, envolver a comunidade”, citou a diretora. “Nós reconhecemos que existem gargalos no combate às arboviroses e essa pesquisa pretende se debruçar sobre um deles, que é a comunicação em saúde, na qual desempenha um papel fundamental na promoção do cuidado e na tomada de decisões. Esse trabalho tem como objetivo desenvolver e apresentar soluções que aprimorem essa comunicação, ampliando os acessos, compreensão e participação da população”, concluiu.

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