Quinta, 19 de Março de 2026

Mauá intensifica ações contra hanseníase, tuberculose e sarampo

Estratégia da Secretaria de Saúde reforça orientação profissional, busca ativa, diagnóstico precoce e combate ao preconceito
Por janete ogawa
19 de março de 2026 - Foto: Divulgação PMM

A Prefeitura de Mauá iniciou nesta semana série de ações estratégicas para o enfrentamento da hanseníase, da tuberculose e do sarampo. Embora preveníveis e com tratamento gratuito, essas doenças ainda representam desafios relevantes para a saúde pública. A iniciativa é conduzida pela Coordenadoria de Vigilâncias em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde e tem como foco a formação de profissionais da rede para atuação direta nos territórios. O objetivo é ampliar a busca ativa de casos, fortalecer o diagnóstico precoce, garantir o acesso ao tratamento e combater o preconceito.

As atividades começaram na terça-feira (17), no SENAI, com formação voltada a médicos e enfermeiros da Atenção Primária e Especializada. A programação segue nesta quarta (18) e sexta-feira (20), no Centro de Formação de Professores Dr. Miguel Arraes, reunindo cerca de 80 agentes comunitários de saúde (ACSs) por dia. Ao todo, mais de 200 profissionais devem ser treinados nas ações presenciais.

Eliene de Paula Pinto, secretária municipal de Saúde, afirma que investir na formação contínua é fundamental para conter a disseminação dessas doenças. “Estamos fortalecendo a atuação de nossas equipes para identificar os casos ainda nas fases iniciais. Com profissionais mais preparados e atentos, avançamos na detecção precoce, medida essencial para evitar complicações, reduzir a subnotificação e fortalecer as políticas públicas de enfrentamento, considerando se tratar de doenças que têm cura e tratamento garantido pelo SUS.”

Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registra cerca de 30 mil novos casos de hanseníase por ano, permanecendo entre os países com maior número de ocorrências. Já a tuberculose soma aproximadamente 80 mil novos casos anuais. Em Mauá, entre 2020 e 2025, foram registrados 23 casos de hanseníase. No mesmo período, a tuberculose contabilizou 861 novos diagnósticos e 190 reincidências. No ano passado, o município foi reconhecido pelo Ministério da Saúde ao alcançar 84,1% de cura nos novos casos de tuberculose pulmonar com confirmação laboratorial.

Coordenadora de Vigilâncias em Saúde de Mauá, Fabiana Marinho de Macedo Vieira ressalta a importância dos profissionais da linha de frente. “Agentes comunitários e equipes de saúde têm contato direto com a população. Com treinamento adequado, conseguem identificar sinais precoces, orientar as famílias e contribuir para reduzir o preconceito”, explica.

A hanseníase, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, afeta principalmente a pele e os nervos periféricos, podendo provocar manchas com perda de sensibilidade, dormência e fraqueza muscular. A transmissão ocorre por contato próximo e prolongado com pessoas sem tratamento. Já a tuberculose, também transmitida pelo ar, atinge principalmente os pulmões e está associada a fatores sociais e ambientais.

Ambas têm cura e tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No caso da hanseníase, a poliquimioterapia interrompe rapidamente a transmissão após o início do tratamento, reforçando a importância do diagnóstico precoce para evitar sequelas e novos casos.

Kelly Cristina Del Ré, gerente de Vigilância Epidemiológica da cidade, reforça que a estratégia da Secretaria da Saúde não está relacionada a aumentos de casos no município. “A intensificação segue calendário nacional, adotado de forma padronizada em todo o país. A busca ativa é fundamental para identificar casos que não chegam espontaneamente aos serviços de saúde e reduzir riscos de transmissão”, destaca.

Outro eixo prioritário das ações é o combate ao estigma associado à hanseníase, antes denominada lepra, e à tuberculose. Informações equivocadas ainda contribuem para o atraso no diagnóstico e para a exclusão social de pacientes.

As atividades formativas incluem aulas expositivas, estudos de caso, apresentação de dados epidemiológicos, dinâmicas interativas e momentos de perguntas e respostas. Também são utilizados instrumentos clínicos e demonstrações práticas de diagnóstico e tratamento, com apresentação de medicamentos disponibilizados pelo SUS.

Frente de atuação contra o sarampo

Além das doenças bacterianas, o município também intensificou a vigilância contra o sarampo, enfermidade viral altamente contagiosa. Embora o Brasil tenha reconquistado o status de eliminação da doença, o risco de reintrodução permanece, especialmente em áreas com grande circulação de pessoas ou baixa cobertura vacinal.

As ações incluem busca ativa em unidades de saúde públicas e privadas, além de visitas a escolas, creches e outros locais de grande circulação. Profissionais da rede também passaram por capacitação para atualização dos protocolos de identificação e notificação de casos suspeitos.

Entre os principais sintomas do sarampo estão febre alta, manchas avermelhadas pelo corpo, tosse, coriza e conjuntivite – sinais que exigem atendimento médico imediato.

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