Segunda, 16 de Março de 2026

Sinais de que você está infartando

Tempo é músculo: no infarto, cada minuto de atraso aumenta o risco e reduz as chances de recuperação
Por janete ogawa
16 de março de 2026 - Foto: Divulgação

O infarto é a principal causa de morte no Brasil. Ele acontece quando uma artéria do coração fica entupida por um coágulo, impedindo que o sangue chegue ao músculo cardíaco. Sem oxigênio, parte do coração começa a sofrer danos em poucos minutos. Embora muitas pessoas vejam o infarto como algo repentino, o problema costuma se desenvolver ao longo de anos, com o acúmulo de gordura nas artérias.

De acordo com a cardiologista intervencionista Dra. Denise Pellegrini, diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI), na maioria dos casos o corpo dá sinais antes. “Embora o evento agudo possa ser rápido, mais de 50% dos pacientes relatam ter sentido sintomas prévios que foram ignorados ou não reconhecidos como cardíacos. Muitas pessoas minimizam esses sintomas, atribuindo-os ao estresse ou a problemas digestivos”, explica a doutora.

Segundo a especialista, existem sinais de alerta que merecem atenção imediata e podem indicar que um infarto está em curso ou prestes a acontecer.

Dor ou pressão no peito

É o sintoma mais clássico. Pode ser descrito como pressão, aperto ou peso no centro do tórax, com duração superior a 15–20 minutos e sem melhora com repouso. Também pode surgir como um desconforto que vai e volta.

Dor irradiada para outras regiões

A dor do infarto pode se espalhar para:

  • Braço esquerdo (mais comum), podendo chegar até os dedos
  • Ambos os braços
  • Mandíbula e queixo (frequentemente confundida com dor de dente)
  • Costas, especialmente entre as escápulas
  • Pescoço e ombros
  • Região do estômago, confundida com gastrite ou má digestão

Essa irradiação ocorre porque o coração compartilha vias nervosas com essas áreas, fazendo o cérebro interpretar a dor como se viesse de outro local.

Falta de ar

Pode surgir mesmo sem dor intensa no peito. Em alguns casos, é o único sintoma. É mais comum em mulheres e idosos e pode aparecer de forma súbita, inclusive em repouso, acompanhada de sensação de sufocamento ou dificuldade para respirar profundamente.

Cansaço extremo e desproporcional

A fadiga incomum é um dos sinais mais precoces e ignorados. Pode surgir semanas antes do infarto. O paciente sente um cansaço que não melhora com descanso, e atividades simples, como subir escadas, caminhar ou tomar banho, tornam-se exaustivas.

Náuseas e desconforto gástrico

Náuseas, vômitos e sensação de “problema no estômago” podem ocorrer, principalmente quando o infarto acomete a parede inferior do coração. Muitas pessoas confundem com gastrite ou má digestão.

Suor frio

A sudorese fria e pegajosa ocorre devido à liberação de adrenalina pelo organismo em resposta ao estresse cardíaco.

Tontura ou sensação de desmaio

Pode indicar que o coração não está conseguindo manter a pressão arterial e o fluxo sanguíneo cerebral adequados.

Alterações no sono e inquietação

Dificuldade para dormir, insônia ou sensação de inquietação podem anteceder o evento, assim como uma ansiedade incomum ou a sensação de que “algo está errado”.

Embora fatores como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo e histórico familiar aumentem significativamente o risco, pessoas sem fatores aparentes também podem sofrer infarto.

O tempo é absolutamente decisivo. Existe um conceito na cardiologia chamado “tempo é músculo”: a cada minuto que passa com a artéria obstruída, mais células do coração morrem. A janela ideal para tratamento é de até 90 minutos após o início dos sintomas. “O ideal é procurar socorro nos primeiros minutos. Não espere para ver se passa”, reforça a Dra. Denise.

A recomendação é ligar imediatamente para o SAMU (192) diante de dor no peito persistente por mais de 15 a 20 minutos, especialmente se acompanhada de suor frio, falta de ar, náusea, tontura ou dor irradiada para braço, mandíbula ou costas. Desmaio ou sensação de morte iminente também são sinais de alerta máximo.

O infarto é uma das maiores emergências médicas que existem. Reconhecer os sinais, agir rapidamente e acionar o socorro imediato pode ser a diferença entre a vida e a morte.

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