Grana interrompe PPP da Odebrecht e diz que deixa dívida de R$ 200 milhões

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Tiago Oliveira

O governo Carlos Grana (PT) decidiu interromper a PPP (Parceria Público-Privada) que daria à Odebrecht Ambiental o direito de operar a distribuição de água em 25% da cidade. Caberá ao novo prefeito Paulo Serra (PSDB) a decisão sobre o futuro da parceria, que por pouco não foi concretizada pela atual gestão nas últimas semanas.

A decisão do prefeito de Santo André foi anunciada nesta sexta-feira (16), durante encontro com Paulinho, no Paço Municipal. Durante a reunião, foi entregue à equipe do tucano relatório final com dados e documentos da gestão, marcando desta forma o fim do processo de transição entre governos.

O petista apontou dois principais motivos para interromper a PPP. “Primeiro, porque se trata de um assunto de extrema relevância para a cidade. Em segundo lugar, a empresa que venceu o processo acabou de ser vendida para a Brookfield”, afirma.

“Achamos por bem que o futuro governo possa, à luz de todo o processo que foi feito, tomar a decisão se vai prosseguir ou não e qual encaminhamento deve dar para esse assunto”, disse Grana.

A Odebrecht Ambiental foi declarada vencedora da licitação em 17 de novembro, duas semanas após a realização do segundo turno. A eminente assinatura de contrato com a empresa foi alvo de críticas de Paulinho, que defendia que a decisão deveria caber ao futuro governo.

Números divergentes

De acordo com levantamento feito pelo governo Grana, a atual gestão vai deixar para o novo governo cerca de R$ 200 milhões em restos a pagar. O montante inclui dívidas com diversos fornecedores, principalmente da Craisa (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) e valores devidos à Fundação do ABC.

A quantidade de restos a pagar é diferente do que foi informado pela equipe de transição de Paulinho Serra, que fala em cerca de R$ 300 milhões de dívidas herdadas do governo Grana.

Durante o encontro desta sexta-feira, o tucano preferiu não polemizar sobre a divergência de números. “Não se trata nem de concordar ou discordar, até porque o número não está fechado. Pagamentos poderão ser até o final do ano executados e também serviços que foram prestados e que ainda não foram processados e aumentar ou diminuir essa dívida. Tem mais 14 dias em aberto pra gente fechar esse número”.

Grana afirmou que até o final do ano (mais especificamente, dia 28 de dezembro), serão pagas as horas extras feitas por servidores no mês de outubro. Já as horas extras de novembro ficarão apenas como banco de horas. De acordo com o prefeito, o 13º salário dos funcionários da Fundação do ABC ainda não tem previsão de pagamento.

 

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